RemaCaê Blog

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Imenso mar!

Imenso mar! Foram pouco mais de 43 dias e 12 horas entre as duas margens do Atlântico. Mas confesso que me perdi na tentativa de usar o tempo da terra para compreender o sonho do mar. Por dias e noites, muitas vezes sem conseguir distinguir se estava acordado aos remos ou se dormia remando em meus sonhos na tão pouco acolhedora cabine de proa, vivi os encantamentos e lições que o mar nos reservara. O mar como mestre. As expectativas de terra firme sobre o que o oceano traria durante minha sonhada travessia a remo do Atlântico foram em todos os aspectos contrariadas. Calmarias quando esperávamos mares grossos. Ondas laterais ao invés dos aguardados sueis de leste. Mais de duas semanas sem sequer uma brisa e muitas vezes com correntes contrárias. Uma estranhíssima navegação em meio a centenas de milhas de algas no mar de sargaços. Da tola busca por recordes à realidade do racionamento. Do avistar o porto de chegada em Barbados após concluído o Atlântico à opção pelo reboque. Quando imaginaríamos que vinte dias após quase colidirmos na escuridão da lua nova com um imenso petroleiro teríamos o leme de nossa embarcação atacado por um tubarão branco? Melhor assim! Minha impressão é que a eterna espera no cais de Porto Mogán nas Ilhas Canárias pela liberação pela burocracia espanhola dos pares de remo que precisávamos para enfim ganharmos mar ocorreu há séculos. As recordações do mar em suas baleias, golfinhos, peixes voadores, plânctons, pássaros e constelações hoje mais se parecem com um sonho que vive na infinitude do oceano. Sorrisos, medos; força; o Atlântico. Sangue, suor e lágrimas, como dizem alguns. Para mim o oceano, brutalmente encantador e revelador dos segredos da alma humana em suas fortalezas e fraquezas. Certíssimo estava meu amigo e inspiração na navegação e olhar, Amyr Klink, ao falar que o maior inimigo de travessias como a que nossa equipe de oito remadores pretendia realizar seria o GPS; sábia ignorância e simplicidade que a contemporaneidade e o mau uso de suas tecnologias insistem em ignorar. Lições do tempo em que barcos eram feitos de madeira e homens de aço. Homens como meu amigo, meu mano e inspiração de vida, Rafael Cordeiro Azevedo, que jamais desistiram de lutar sorrindo. Hoje posso dizer que não ter dormido um intervalo maior que uma hora e meia durante toda travessia ou ter meus dedos literal e permanentemente entortados pelos mais de 5000 quilômetros de remo somente me ajudaram a desfrutar mais as dores e sabores dessa jornada no Atlântico. Hora, então, de contar essa história.

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Serenidade

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Poema de Fernando Antônio de Carvalho, que eu mesmo intitulei, com o nome de uma embarcação linda que avistei hoje na costa oeste da Escócia, próximo à Ilha de Skye:

Serenidade

Rema Caê…persiga a linha do horizonte.
Supere a vaga e segue em frente.
O mar tenebroso é só um monte,
E após o vale, o lar e a cama quente.

Rema forte, olhe o céu e a estrela
Que te guia rumo à enseada prometida.
E ainda que a noite te impeça vê-la
Segue o teu coração e nele dê guarida

Aos teus sonhos mais ardentes
E a certeza que tudo vale a pena
Em sua alma companheira de viagem.

E sob o sol e as tardes inclementes
Te acompanhe a nossa prece e novena
Feita força, determinação e coragem.

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A culpa é das estrelas: em busca de um final mais feliz

A culpa é das estrelas

O portal “Beco Literário” avalia o romance “A culpa é das estrelas” como a mais emocionante obra de John Green. O livro narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um grupo de apoio para crianças com câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Na obra de John Green, os personagens usam a brincadeira e o humor como forma de lidar com a doença e sorrir frente ao câncer que lentamente drena suas vidas.

E se esse romance em sua história e detalhes fossem reais? E se esses personagens criados por John Green e que emocionaram milhões de pessoas existissem? Pois é, todos os dias, milhares de”Hazels” e “Augustus” lutam – e sorriem – contra o câncer. Foi mais ou menos assim que nasceu minha motivação em ajudar na pesquisa da cura do câncer, quando, em 2006, perdi um grande amigo para o osteossarcoma. Assim como os personagens de “A culpa é das estrelas”, um cara jovem, coração, apaixonado, craque de basquete e que lutou pela vida com sorriso e inspiração.

Sempre lembro esse amigo dizer que, em dez ou vinte anos, haveria cura para o osteossarcoma. Mas a verdade é que essa cura não se apresentará, simplesmente. De certa forma, ela depende do envolvimento de todos nós. No final de 2013, conheci profissionais magníficos do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia – INTO, que pesquisam a cura do osteossarcoma. Convido vocês a conhecerem mais esse trabalho maravilhoso, se apaixonarem por essa causa assim como eu me apaixonei e ajudarem no crowdfunding que estou promovendo para a pesquisa da cura do osteossarcoma e para minha travessia do Atlântico a remo. Isso para que histórias como a de Hazel e Augustus possam ter um final mais feliz:

Crowfunding Brasil: http://www.mobilizefb.com/remacaeproject

Crowdfunding Intl.: http://www.gofundme.com/remacae

 

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No imenso mar azul

 

Ana Maria Machado - No Imenso Mar

Ana Maria Machado – No Imenso Mar

O casamento entre leitura e a mente infantil é sublime. São os livros que permitem que nossos marinheiros de primeira viagem sonhem longe, voem alto, remem distante e tenham o primeiro contato com mundos encantados para, quem sabe um dia, visitá-los. A autora Ana Maria Machado conta a estória de um desses incríveis universos em ‘No Imenso mar azul’, que minha querida mãe encontrou empoeirado em nossa biblioteca. E por falar em contos maravilhosos, compartilho abaixo um delicioso cordel presenteado pelo tio, amigo, queridíssimo e talentoso, Fernando Antônio Carvalho, que narra um pouco da jornada que me trouxe até a travessia do atlântico que começarei em exatos 176 dias, 1 hora, 20 minutos e 43 segundos. Espero que vocês curtam a leitura (e se divirtam) com as palavras do tão querido tio Fê:

Homenagem a um sobrinho do coração que breve vai cruzar o Atlântico num barco a remo.

CORDEL DO MENINO QUE REMAVA
Nasceu louro e branquinho
com olhos azuis demais.
Cresceu no Rio, tadinho,
e um dia aportou nas Gerais.
Só pensava em jogar bola
fugindo da escola
com preguiça de aprender.
Um dia tomou juízo e na vida
deu-meia-volta-vou-ver. 
Foi para Belo Horizonte
estudar no Izabela,
atrás da serra e defronte
à Praça da Liberdade,

Do Rio ficou a saudade,
os sonhos e a vontade
de não sair pra sofrer.

Dito e feito, não deu outra…
Caezito tomou jeito
e virou bom estudante.
Voltou pro Rio de Janeiro.
Tomou gosto e em direito
o moleque se formou.
Voltou pra casa correndo,
de tudo agora sabendo
de tudo um pouco mais.

Cultura nunca é demais.
E agora bem mais sabido
é Doutor de verdade
com pós-graduação.
Em muitas línguas versado
já sabe falar enrolado,
Sem falar do português
que hoje fala arretado
de dar ciúme em letrado
cheio de ostentação.

Mas o saber contagia
e Caezito tomou gosto.
Queria mais e noite e dia,
nunca mais a contragosto,
mais estudava, mais lia,
e das leis se inteirava.
O Brasil ficou pequeno…
Vou-me embora pros states,
disse com opinião.
Rumou pro aeroporto
e de mala, merenda e cuia,
sem pra trás virar o rosto,
guardou na mochila o desgosto
e partiu de carreirinha
pra fazer o estrangeiro.

Passou numa tal de Harvard,
universidade de aprumo
e com fama de excelência.
Caezito as noites virava
sem tempo de ir ao banheiro.
Fizesse sol, nevasse ou chovesse
não perdia o interesse,
comendo livro e sanduba
e de manhã bem cedinho,
mal mal a cara lavava,
ligeiro pra aula rumava.
O mestre só vigiando
quando Caezito emborcava.
Não sabia se o aluno dormia
ou o moleque cochilava.

Mas veio a formatura e o canudo…
Caezito fez as malas e voltou.
Male e mau chegou em casa
e a caixa do correio lotou.
Proposta de emprego adoidado,
com direito a mordomia
em escritório renomado.

Analisado os pesos e medidas,
pesado e repensado os poréns,
Caezito ouviu o canto da sereia
e mesmo com a cara feia,
pois São Paulo não é Rio,
pra adoçar a empreitada
de encarar tal desafio.

Estudando feio louco,
sem tempo pra mais nada.
Lazer que é bom muito pouco,
virando noite e madrugada.
Só contrato complicado
com muita grana envolvida.
Gente graúda, bem de vida,
do Brasil e de estrangeiro.
pois a grana era dinheiro
de sobra e a dar com o pau.

Aí que saudade de casa…
Das praias e do Fogão.
Minha estrela solitária
brilha no ceú solidária
com o meu triste coração.

Caezito se rendeu à saudade
e pegou o primeiro avião.
E agora o que fazer da vida?
Direito talvez queira ou não,
pensou lá com os seus botões.
Enquanto isto sonhava
cruzar a atlântico a nado
de remo, vela ou pranchão.
Pois o melhor da jornada
quase não vale nada
se não tiver emoção.

Juntou uma turma da hora
e traçou uma rota maluca
no meio do grande mar.
Só que o barco é a remo
e no braço vai singrar
o grande mar-oceano
e volta, se não engano,
bem na hora do jantar.
Ponha o seu prato na mesa
que a fome é de além-mar.

O resto da história não conto
que a graça e o perguntar
no que deu a maluquice
de noite e dia remar
por um mar mais perigoso,
cheio de onda e procela,
do que olhar da donzela
que um dia vai te pegar.

Mas uma coisa eu te digo
meu curioso leitor:
mudo o meu nome pra Maria
se mais hoje ou amanhã,
bem ao raiar do dia,
lá no fim do horizonte
não aparecer um mastro
com a bandeira do Brasil.
E se barco vem ligeiro,
furando onda brejeiro
é Caezito voltando.
Vento na cara,
sorriso sobrando.
Eta moleque danado.
Poucos assim se viu.
É Caezito chegando…
puta que pariu !…

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Há 30 anos o nosso Amyr partia para conquistar o Atlântico sul

Cae I.A.T

Aos dez anos li o clássico ‘Cem dias entre o céu e o mar’, de Amyr Klink. Maravilhado, folheava as páginas e viajava entre cartas, rascunhos, estudos e incríveis histórias que o Amyr viveu ainda em 1984, quando GPS, EPIRBs e outras tecnologias hoje habituais na navegação oceânica eram equivalentes ao skate voador do ‘De Volta para o Futuro 2’.

É incrível como os caminhos percebi que a ideia de remar um oceano era possível, e da tão querida Carol Gottardi, tive a oportunidade de conhecer o Amyr e ouvir dele um pouco mais de suas histórias espetaculares. Por duas horas e meia de papo com o Amyr, sem piscar, ouvi seus casos; naveguei  oceanos em que nunca estive, cortei ondas que nunca vi e venci tormentas que nunca enfrentei. Muito gentilmente, o Amyr compartilhou seu famoso ‘Dossiê Amarelo’, que, minuciosamente, detalha como sua ideia inicialmente maluca de atravessar o Atlântico sul fazia pleno sentido.

Em 1993, quando li alguns dos relatos que com 31 anos ouviria diretamente do Amyr, não duvidava disso. Hoje, a inspiração que tenho recebido de tantas pessoas amadas (sobretudo de você, Ciça Schurig) na preparação para a minha travessia no final desse ano me traz a certeza de que todos os caminhos me levam ao mar.

Do  encontro com o querido Amyr, além da inspiração para avançar no meu projeto de travessia oceânica, nascia a oportunidade de  conhecer o bravíssimo I.A.T. Para quem não o conhece, esse é o barquinho de madeira das fotos, de menos de 400 quilos e menos de sete metros, que o Amyr utilizou para viver tantas aventuras nos 101 dias em que percorreu o trecho entre Lüderitz, na Namíbia, e a Praia da Espera, na nossa Bahia de todos os santos.

Graças ao amigo Jackson Bergamo, cujo trabalho (ou ao menos um pouco de suas criações incríveis em madeira) tive o prazer de divulgar nesse blog há uma semana, pude “namorar” o I.A.T. (já restaurado pelo craque Jackson) em todos seus detalhes. Sentei no carrinho, que o Amyr usou para suas milhões de remadas na travessia, encaixei o pé no finca-pé de couro, mexi na forqueta de ferro e entrei na cabine em que o Amyr viveu dias e mais dias entre suas anotações e planos. Uma das partes que mais recordo  desses cem dias de história foi quando Amyr, ainda próximo à temida costa dos esqueletos na África, permaneceu sete dias trancado na cabine do I.A.T., enquanto seu bravo barquinho de madeira resistia às tempestades virando e retornando à sua posição original (isso por meio de um engenhoso sistema de válvulas do I.A.T.) e surfava enormes ondas em direção ao lar doce lar que lhe aguardava.

Bom, como foi estar na pequena e tão acolhedora cabine do I.A.T.? Senti a liberdade que desde os dez anos de idade buscava. Foi maravilhoso voltar aos meus sonhos de criança e ser adulto para poder realizá-los. Bravíssimo, Amyr! Meus parabéns pelos 30 anos de sua partida de Lüderitz para conquistar o Atlântico sul.

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Obras de arte flutuantes

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Ontem tive uma manhã maravilhosa conhecendo um pouco do trabalho do artista, Jackson Bergamo, especialista e apaixonado por embarcações de madeira. Um dos maravilhosos projetos realizados pelo Jackson é a recuperação do original e a criação de uma réplica do I.A.T., barco utilizado por Amyr em sua atravessia do Atlântico sul em 1984. O mais interessante ao ouvir um pouco das lições do Jackson é perceber como algumas tecnologias antigas permanecem superiores. Por exemplo, a resistência do par de remos de madeira usado pelo Amyr em sua travessia do atlântico que, até hoje, encontra-se em ótimo estado, em contraste a tantas histórias de travessias em que a quebra de pares de remo e a utilização de pares substitutos é uma constante. Ou ainda, a robustez de pares de remo de madeira trazidos por Amyr de uma de suas expedições à Georgia do Sul, utilizados nas antigas baleeiras há cerca de um século, ainda nos tempos de Shackleton, em que barcos eram feitos de madeira e homens de aço. O aroma de madeira do galpão do amigo Jackson lembrou o perfume daquele rango esperto caseiro imbatível de vovós e mamães. Que a arte de pessoas como o Jackson permaneça viva e seja transmitida às próximas gerações.  Para conhecer mais sobre o trabalho de Jackson Bergamo, visite http://jacksonbergamo.com.br/

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Por que ajudar? Into pesquisa tumor em células-tronco

Notícia bacana, publicada no site do INTO, com mais informações sobre a pesquisa do osteossarcoma que o RemaCaê está apoiando.

Para participar do Crowdfunding e ajudar nessa causa tão importante, visite http://www.mobilizefb.com/remacaeproject e faça sua contribuição. Faça parte dessa história. Com a participação de todos, qualquer quantia; aquele trocadinho guardado no fundo da bolsa, fará grande diferença para o nosso projeto.

Into pesquisa tumor em células-tronco

Estudo vai auxiliar no tratamento do câncer de osso que mais atinge crianças e jovens

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) iniciou, em 9 de agosto, pesquisa com células-tronco em pacientes com diagnóstico de osteossarcoma, tumor maligno do osso que atinge, principalmente, crianças e jovens entre 10 e 20 anos, em fase de crescimento. Esta pesquisa inaugura uma nova linha de estudo e será a primeira realizada com células-tronco tumorais no Centro de Pesquisa em Terapia Celular e Bioengenharia Ortopédica do Into.

O estudo consistirá no isolamento e expansão in vitro de células-tronco tumorais em duas fases: No momento da biópsia, realizada para a confirmação da doença; e após o tratamento com quimioterapia. Os pesquisadores irão identificar a quantidade de células existentes nessas duas fases e compará-las para verificar a agressividade do tumor e o seu grau de resistência ao tratamento. Também serão realizados testes em camundongos estéreis para provocar a doença e acompanhar o desenvolvimento do tumor in vivo.

Segundo a chefe da Divisão de Pesquisa, Maria Eugênia Duarte, a quantidade de células-tronco tumorais pode estar relacionada com a agressividade, a resistência ao tratamento e a disseminação da doença no organismo. “O resultado é que poderemos fornecer mais um elemento importante para tratar o paciente e será possível identificar se houve resposta ao tratamento. A partir daí, os médicos poderão programar melhor o tratamento baseado nas características individuais de cada tumor”.

A expectativa do ortopedista Walter Meohas, cirurgião especializado no tratamento do osteossarcoma, é de que os resultados possam contribuir para reduzir a necessidade de amputações. “É uma pesquisa inédita que vai revolucionar muita coisa no tratamento. Estou otimista para que dê certo e que possamos preservar mais as crianças. É um trabalho prospectivo, começando por quem está chegando agora para fazer a biópsia para confirmar o diagnóstico”. O médico atende no Into e no Inca aproximadamente 31 casos por ano de pacientes com osteossarcoma que necessitam de cirurgia oncológica.

Células-tronco tumorais

As células-tronco tumorais representam cerca de 1% da massa tumoral. Elas são mais resistentes às terapias e têm o potencial de formar as células que compõem os tumores dependendo do estímulo que recebem. São chamadas de células-mãe, o reservatório do tumor. “Apesar do efeito da quimioterapia ser capaz de eliminar ou diminuir o tamanho de grande parte do tumor, as células-tronco tumorais são bem mais resistentes. O que iremos desenvolver é uma ferramenta de prognóstico para futuramente buscar alternativas para melhorar a resposta dos pacientes ao tratamento”, explica a pesquisadora Suzana Kahn.

O estudo introduz nova forma de avaliar a agressividade biológica do tumor, utilizando uma técnica mais científica e moderna que envolve os conceitos de células-tronco. Será possível identificar quais foram os efeitos da quimioterapia, observando em laboratório a proliferação, sobrevivência e invasão das células no organismo do paciente, além de saber se houve melhora com o tratamento e se aumentará ou não as chances de ocorrer metástase.

Osteossarcoma

O osteossarcoma é um tumor maligno dos ossos. Sua incidência é maior em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos, sendo secundário à irradiação da radioterapia e da doença de Paget. O tumor atinge o aparelho locomotor, como pernas, braços e coluna, e acomete os pulmões com frequência, em decorrência de metástase. O primeiro sinal é dor e aumento rápido de volume no local, como no joelho e no úmero, por exemplo. Em 27% dos casos é necessária a amputação. Os outros 73% precisam passar por cirurgia e colocação de prótese ou enxerto para substituir a articulação. Por se tratar de um tumor altamente maligno, o índice de mortalidade da doença também é muito alto. Menos de 5% sobrevivem com osteossarcoma. A taxa de sobrevida do paciente é de 64% em cinco anos e cai para 50% quando ocorre metástase.

Terapia Celular no Into

Criado em 2006, o Centro de Pesquisa em Terapia Celular e Bioengenharia Ortopédica (CTCel) é o primeiro laboratório de pesquisa do país especializado em terapia celular e medicina regenerativa, voltado exclusivamente para o tratamento das doenças do aparelho locomotor.

Trabalhando em colaboração com institutos de pesquisa nacionais e internacionais, o CTCel tem como principal missão estabelecer tratamentos inovadores em Ortopedia e Traumatologia para atender, através do SUS, a demanda nacional. Sua principal proposta consiste no desenvolvimento de projetos de pesquisa básica e protocolos clínicos no âmbito da Medicina Regenerativa, utilizando a terapia celular e a bioengenharia tecidual como principais ferramentas.

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O sonho da partida

Pensamento desse grande navegador brasileiro, compartilhado pela queridíssima Aline Marinho, que resume o jogo do tempo em que todos vivemos; entre nossos sonhos e realizações. Vivemos num grande e contínuo sonho, que se multiplica entre objetivos e se limita por nossas rotinas. Sim, vale sonharmos, nos perdermos em devaneios deliciosos, irmos longe e além, imaginarmos lugares nunca antes vistos. Mas melhor que ter grandes sonhos é aceitar que nem tudo na vida sai como planejado e que, em algum momento, é preciso parar de sonhar e, como diria o sábio Amyr, de algum modo, simplesmente, partir. Pra mim, colocar os pés no finca-pé de um dos barcos do Bandeirantes, no oasis que é a raia olímpica da USP, é viver esse sonho de liberdade que se aproxima. E pra você, o que significa sonhar e partir?

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Conheça Terry Fox

Há pessoas que vivem para inspirar (e ensinar). O canadense Terry Fox foi um desses caras. Ainda na adolescência, Terry teve a perna direita amputada após ser diagnosticado com osteossarcoma.  Mesmo assim, Terry ganhou diversos títulos como jogador cadeirante de basquete e, em 1981, deu início à jornada de sua vida. Terry iniciou uma corrida pelo Canadá para arrecadar fundos para a pesquisa do câncer. Com uma perna mecânica, Terry correu 3339 milhas (5373 kms) em 143 dias em prol da pesquisa para a cura do câncer. Terry faleceu em 1981, mas sua memória e exemplo permanecem inspirando milhões. Anualmente, a corrida de Terry Fox ocorre em diversos países e, desde sua criação, já possibilitou a arrecadação de mais de US$600 milhões na pesquisa da cura do câncer.

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